Na porta de uma igreja na rua da Escola Politécnica, junto ao Rato, os homens das obras – quais Richard Serra – colocaram uma barreira improvisada, evitando assim a entrada de estranhos à obra.
Curioso é que o objecto escolhido para servir de barreira, na porta de uma igreja, seja uma cruz enorme, de madeira. Muito dramática, mais ou menos do tamanho que aparece nos filmes do cristianismo, mais impressionante que muitas instalações armadas, de muitos prafrentex.
Mais um ponto a favor dos homens das obras, que no percurso da arte moderna, muitas boas ideias têm vindo a desenvolver.
sexta-feira, abril 30, 2004
Ex-Senhor descalço com fetiche – 3
Por fim, um outro dia, voltei a ver esta personagem ex-pé descalço.
Desta vez, para meu espanto, mais uma vez, o senhor trazia uns sapatos todos rotos, todos ranhosos, de aspecto nojento, a verem-se as meias, com fita adesiva a tentar que a sola não fugisse, e de cor cinzento-velho, no qual já se duvidava que os átomos ainda girassem.
Qual não é o meu espanto quando reparo que o senhor, transportava um enorme saco de plástico transparente, absolutamente a abarrotar de sapatos. Sapatos velhos, novos, de criança, de senhora, de montes de cores diferentes. Ténis, botas, chinelos e pantufas, tudo com aspecto de ter sido encontrado num contentor do lixo, numa rua de sapatarias.
Fabuloso, eu nem queria acreditar que pudesse ser isto. Este menzinho deve ter uma granda pancada com sapatos ou então levou muita pancada com sapatos quando era mais miúdo e daí desenvolveu uma espécie de pancada Freudiana.
Há pessoas que se esforçam por serem originais e surpreenderem constantemente e depois existe este senhor, que sinceramente ultrapassa qualquer estilista marado da cabeça!
Desta vez, para meu espanto, mais uma vez, o senhor trazia uns sapatos todos rotos, todos ranhosos, de aspecto nojento, a verem-se as meias, com fita adesiva a tentar que a sola não fugisse, e de cor cinzento-velho, no qual já se duvidava que os átomos ainda girassem.
Qual não é o meu espanto quando reparo que o senhor, transportava um enorme saco de plástico transparente, absolutamente a abarrotar de sapatos. Sapatos velhos, novos, de criança, de senhora, de montes de cores diferentes. Ténis, botas, chinelos e pantufas, tudo com aspecto de ter sido encontrado num contentor do lixo, numa rua de sapatarias.
Fabuloso, eu nem queria acreditar que pudesse ser isto. Este menzinho deve ter uma granda pancada com sapatos ou então levou muita pancada com sapatos quando era mais miúdo e daí desenvolveu uma espécie de pancada Freudiana.
Há pessoas que se esforçam por serem originais e surpreenderem constantemente e depois existe este senhor, que sinceramente ultrapassa qualquer estilista marado da cabeça!
quinta-feira, abril 29, 2004
Senhor descalço já bem calçado – 2
No dia seguinte, cruzei-me de novo com aquela intrigante e descalça figura. Desta vez, o senhor de aspecto paupérrimo, trazia calçados
uns sapatos de senhor, todos bem engraxadinhos, de aspecto caro e fino. Muito limpinhos e com bom aspecto.
A minha imaginação disparou. Será que os encontrou? Será que lhos deram? Será que andava a mendigar há imensos anos só para ter dinheiro para comprar aqueles sapatos tão catitas?
Destoavam tanto os sapatos que era a única cor brilhante e pura, no seu fato, barba e tom de pele cinzenta-acastanhada e baça.
Era uma personagem maravilhosa!
Eu já tinha uma óptima história para contar ao almoço à minha namorada!
uns sapatos de senhor, todos bem engraxadinhos, de aspecto caro e fino. Muito limpinhos e com bom aspecto.
A minha imaginação disparou. Será que os encontrou? Será que lhos deram? Será que andava a mendigar há imensos anos só para ter dinheiro para comprar aqueles sapatos tão catitas?
Destoavam tanto os sapatos que era a única cor brilhante e pura, no seu fato, barba e tom de pele cinzenta-acastanhada e baça.
Era uma personagem maravilhosa!
Eu já tinha uma óptima história para contar ao almoço à minha namorada!
quarta-feira, abril 28, 2004
Senhor Descalço – 1
Por três vezes pude ver um senhor sem abrigo que me marcou muito.
A primeira vez que o vi, estava um frio horrível, tinha estado a chover, eu estava todo encasacado e tiritava por todos os lados.
Cruzei-me com um senhor mal agasalhado, camisola e casaco de aspecto leve. Fiquei sobressaltado quando notei que este senhor estava descalço. Passeava-se pela cidade de pés descalços. A minha vontade foi oferecer-lhe as minhas meias, pelo menos podia ser que se aquecesse uma bekita.
Tinha um olhar sereno e não parecia sequer notar que estava uma temperatura polar. Estava mais ou menos como numa reunião da ONU, tudo a tentar permanecer sereno mas com uma sensação que o ambiente está pesado porque estão com os pés frios.
A primeira vez que o vi, estava um frio horrível, tinha estado a chover, eu estava todo encasacado e tiritava por todos os lados.
Cruzei-me com um senhor mal agasalhado, camisola e casaco de aspecto leve. Fiquei sobressaltado quando notei que este senhor estava descalço. Passeava-se pela cidade de pés descalços. A minha vontade foi oferecer-lhe as minhas meias, pelo menos podia ser que se aquecesse uma bekita.
Tinha um olhar sereno e não parecia sequer notar que estava uma temperatura polar. Estava mais ou menos como numa reunião da ONU, tudo a tentar permanecer sereno mas com uma sensação que o ambiente está pesado porque estão com os pés frios.
terça-feira, abril 27, 2004
Cartão Lisboa +iva
Por cada novo cartão Lisboa Viva, o Metropolitano cobra mais 5 euros.
É dos poucos objectos que não têm longevidade e não têm qualquer tipo de garantia.
Se um cartão deixar de funcionar uma semana depois de ser adquirido, a responsabilidade monetária de o pagar novamente é inteiramente do utilizador.
Aonde anda a Deco? Aonde anda o bom senso do Metro? Desde quando é que eles querem chular pura e simplesmente os utilizadores dos transportes?
Será que custa muito oferecerem um cartão novo se um cartão se estragar com apenas um ou dois meses de utilização?
O Metro está ganancioso! Daqui a nada começa a pôr os pica bilhetes a render nas esquinas do Metro!
É dos poucos objectos que não têm longevidade e não têm qualquer tipo de garantia.
Se um cartão deixar de funcionar uma semana depois de ser adquirido, a responsabilidade monetária de o pagar novamente é inteiramente do utilizador.
Aonde anda a Deco? Aonde anda o bom senso do Metro? Desde quando é que eles querem chular pura e simplesmente os utilizadores dos transportes?
Será que custa muito oferecerem um cartão novo se um cartão se estragar com apenas um ou dois meses de utilização?
O Metro está ganancioso! Daqui a nada começa a pôr os pica bilhetes a render nas esquinas do Metro!
domingo, abril 25, 2004
Loja do Cidadão paciente
Eu, cidadão, espero 55 minutos em pé, numa sala quente, cheia de pessoas com stress a pingar da nuca. 55 minutos para uma conversa de 2 minutos, para tratar de um papel na Loja do Cidadão.
O cidadão é paciente. Que remédio tem ele!?
O cidadão é paciente. Que remédio tem ele!?
sábado, abril 24, 2004
Triste e sujo
Já por diversas vezes observei uma personagem que às vezes está sentada nos bancos de determinadas estações do metro...
De cabelo desgrenhado e barba por fazer, este senhor tem simplesmente um ar triste... de todas as vezes que o pude observar não reparei em mais nada senão na sua grande apatia... ele parece apenas triste.
Sentado, sujo, muito sujo, de enorme barriga a encher a esticada t-shirt. Sem falar sozinho, sem pedir, sem defender as suas posses... despreocupado, olhando o nada, sempre muito calmo e tristonho.
A única coisa que noto é que nos assentos em que esta personagem se senta nas estações, tudo fica completamente sujo, mascarrado, este homem deixa uma marca por onde passa, exala um cheiro a podre completamente insuportável...
Apetece dar-lhe uma companhia, amigos, uma casa, um trabalho, um objectivo na vida e uma barra de sabão azul e branco do tamanho de um pequeno apartamento.
De cabelo desgrenhado e barba por fazer, este senhor tem simplesmente um ar triste... de todas as vezes que o pude observar não reparei em mais nada senão na sua grande apatia... ele parece apenas triste.
Sentado, sujo, muito sujo, de enorme barriga a encher a esticada t-shirt. Sem falar sozinho, sem pedir, sem defender as suas posses... despreocupado, olhando o nada, sempre muito calmo e tristonho.
A única coisa que noto é que nos assentos em que esta personagem se senta nas estações, tudo fica completamente sujo, mascarrado, este homem deixa uma marca por onde passa, exala um cheiro a podre completamente insuportável...
Apetece dar-lhe uma companhia, amigos, uma casa, um trabalho, um objectivo na vida e uma barra de sabão azul e branco do tamanho de um pequeno apartamento.
Peso do saber
Durante a minha vida de estudante a expressão: “Tiraste-me um peso de cima”, ganhava vida.
Aquando a proximidade de um teste, eu forçava-me a carregar sempre e para todo o lado, os livros, os apontamentos e os textos da matéria que tinha de estudar.
Assim que fazia o teste, era realmente um peso que me tiravam de cima.
Aquando a proximidade de um teste, eu forçava-me a carregar sempre e para todo o lado, os livros, os apontamentos e os textos da matéria que tinha de estudar.
Assim que fazia o teste, era realmente um peso que me tiravam de cima.
sexta-feira, abril 23, 2004
Canção do alto
Melhor que todas as intervenções dos empreiteiros nas ruas de Lisboa, só mesmo uma coisa. No tal prédio por onde passei, algo me surpreendeu. Por debaixo dos panos monumentais, um dos operários cantava. Mas cantava com toda a força, descontraidamente, como se ninguém o ouvisse, como no duche. Cantava em crioulo, muito catita, num misto de peixeirada urbana com laivos de Cesária Évora.
Toda a rua tomava o sabor da música, meio triste, meio parva, muito saloia e muito relaxada. E ainda bem.
Foi muito curioso, porque eu não o consegui ver, estava completamente escondido pelos panos do prédio. Só faltavam os críticos e os convidados, para esta instalação cantante ser uma bela obra de arte.
Toda a rua tomava o sabor da música, meio triste, meio parva, muito saloia e muito relaxada. E ainda bem.
Foi muito curioso, porque eu não o consegui ver, estava completamente escondido pelos panos do prédio. Só faltavam os críticos e os convidados, para esta instalação cantante ser uma bela obra de arte.
quinta-feira, abril 22, 2004
Cristo em Lisboa
Passei muito recentemente por um prédio em obras, todo enfaixado, qual projecto do artista plástico Cristo. Muito bonito, muito forte na paisagem.
Gosto imenso do bom gosto dos empreiteiros, sobretudo na escolha das cores fortes com que forram os seus prédios!
Muitas vezes podemos mesmo antever o que aconteceria se Cristo deixasse os seus projectos ao abandono. Muitas casas em Lisboa, ao fim de uns quantos anos tapadas, passam a ser muito fantasmagóricas, os panos rasgam-se todos com a acção dos elementos. Ficam cenários idílicos para os filmes totós do Scooby-Doo e para as intrusões mais anarcas.
Viva a câmara de Lisboa!
Gosto imenso do bom gosto dos empreiteiros, sobretudo na escolha das cores fortes com que forram os seus prédios!
Muitas vezes podemos mesmo antever o que aconteceria se Cristo deixasse os seus projectos ao abandono. Muitas casas em Lisboa, ao fim de uns quantos anos tapadas, passam a ser muito fantasmagóricas, os panos rasgam-se todos com a acção dos elementos. Ficam cenários idílicos para os filmes totós do Scooby-Doo e para as intrusões mais anarcas.
Viva a câmara de Lisboa!
terça-feira, abril 20, 2004
Correr por gosto é bom de ver
Já poucas pessoas correm por gosto. Eu estimo muito as pessoas que correm por gosto. Existe qualquer coisa muito sincera e “boa onda” neste tipo de actividade.
Para mim os CTT e os alfarrabistas são muito engraçados. Parece impossível como alguém pode viver de vender selos e ser bom camarada o suficiente para nos ir entregar as cartas a kilómetros e kilómetros de distância.
E depois há os alfarrabistas... que com afinco disputam por mais 40 cêntimos uma revista toda rota de 86.
Apesar disto, sempre que passo por uma estação dos CTT penso sempre que é bom poder mandar cartas ao pessoal, mas acabo por nunca mandar.
E sempre que passo por um alfarrabista tenho ganas de comprar meio mundo, nunca deixo de dar uma espreitada e derreto-me com os estranhos lugares e pessoas que estes sítios são. Mas acabo por nunca levar nada, pelo menos nada que valha a pena dar 40 cêntimos, é por isso que regatear é lindo. E todos os estabelecimentos deviam ser mais assim, baratinhos e de preço negociável.
Para mim os CTT e os alfarrabistas são muito engraçados. Parece impossível como alguém pode viver de vender selos e ser bom camarada o suficiente para nos ir entregar as cartas a kilómetros e kilómetros de distância.
E depois há os alfarrabistas... que com afinco disputam por mais 40 cêntimos uma revista toda rota de 86.
Apesar disto, sempre que passo por uma estação dos CTT penso sempre que é bom poder mandar cartas ao pessoal, mas acabo por nunca mandar.
E sempre que passo por um alfarrabista tenho ganas de comprar meio mundo, nunca deixo de dar uma espreitada e derreto-me com os estranhos lugares e pessoas que estes sítios são. Mas acabo por nunca levar nada, pelo menos nada que valha a pena dar 40 cêntimos, é por isso que regatear é lindo. E todos os estabelecimentos deviam ser mais assim, baratinhos e de preço negociável.
Graffiti amoroso
Um graffiti já antigo que existe na minha zona de residência apregoa uma comum declaração de amor. No entanto, apesar da mensagem amorosa, o seu conteúdo não deixa de me soar estranho.
Digam-me por favor se isto será normal:
“Marta ama Pilão”
Por amor de Deus, se o seu amor tiver uma alcunha ridícula, seja nome queridinho ou nome de prisão, de natureza escatológica ou genital, se tiver mesmo de ser, por favor, escreva antes o nome que estiver no bilhete de identidade dele.
Agora se Pilão for o seu verdadeiro nome próprio ou de famíla, pense se gostaria de ficar com o nome do seu marido... Marta Pilão não soa tão bem como possa parecer.
Digam-me por favor se isto será normal:
“Marta ama Pilão”
Por amor de Deus, se o seu amor tiver uma alcunha ridícula, seja nome queridinho ou nome de prisão, de natureza escatológica ou genital, se tiver mesmo de ser, por favor, escreva antes o nome que estiver no bilhete de identidade dele.
Agora se Pilão for o seu verdadeiro nome próprio ou de famíla, pense se gostaria de ficar com o nome do seu marido... Marta Pilão não soa tão bem como possa parecer.
segunda-feira, abril 19, 2004
O irmão secreto
Hoje passei pelo escritório de advocacia do senhor Rui Represas, obviamente o irmão mais novo mas menos talentoso do cantor Luís Represas. Obviamente!
Bem pelo menos isso era o que eu gostava de lá escrever por baixo do nome do advogado. Mas como a minha consciência não me permite... fica aqui apenas um desejo de interacção catita com a classe de direito.
Bem pelo menos isso era o que eu gostava de lá escrever por baixo do nome do advogado. Mas como a minha consciência não me permite... fica aqui apenas um desejo de interacção catita com a classe de direito.
sábado, abril 17, 2004
O grandioso passeador de galinhas
Numa cidade suburbana é habitual cruzarmo-nos com personagens estranhas.
A mais curiosa personagem que conheço é sem dúvida o grandioso passeador de galinhas.
Há uns anos, cruzei-me com um senhor muito bem vestido, de chapéu à gangster, luvinhas brancas sem dedos, sapatinhos engraxadinhos, colete, casaco, uma pena de perdiz presa no chapéu, bigode e umas bonitas suíças. Debaixo de um dos braços trazia, com a maior naturalidade, uma pacífica galinha branca. As restantes pessoas no autocarro, pareceram ficar também bastante surpresas...
Não tem nada de mais, é só um senhor que gosta da sua galinha e que parece tirado de um romance do século XIX.
Depois disso, este normalíssimo senhor foi capaz de me surpreender cada vez mais.
Era espectacular ver esta personagem a passear pela minha cidade, impunha respeito a qualquer um.
Intrigante no mínimo... para mim pelo menos... impossível de resumir num só post.
A mais curiosa personagem que conheço é sem dúvida o grandioso passeador de galinhas.
Há uns anos, cruzei-me com um senhor muito bem vestido, de chapéu à gangster, luvinhas brancas sem dedos, sapatinhos engraxadinhos, colete, casaco, uma pena de perdiz presa no chapéu, bigode e umas bonitas suíças. Debaixo de um dos braços trazia, com a maior naturalidade, uma pacífica galinha branca. As restantes pessoas no autocarro, pareceram ficar também bastante surpresas...
Não tem nada de mais, é só um senhor que gosta da sua galinha e que parece tirado de um romance do século XIX.
Depois disso, este normalíssimo senhor foi capaz de me surpreender cada vez mais.
Era espectacular ver esta personagem a passear pela minha cidade, impunha respeito a qualquer um.
Intrigante no mínimo... para mim pelo menos... impossível de resumir num só post.
Santificado seja o vosso tag
Existe um graffiti na cidade de Lisboa que diz: Santa Máfia.
Isto é uma coisa estranha. Existe uma máfia em Portugal? E tem uma Santa? Ou é santa?
Alguém desconfia de alguma coisa?
Se alguém tiver mais informações sobre este graf tão peculiar, por favor diga alguma coisa ou então contacte os senhores do Santo Sis, O São Mono ou a Santa Maria della Bófia!
Isto é uma coisa estranha. Existe uma máfia em Portugal? E tem uma Santa? Ou é santa?
Alguém desconfia de alguma coisa?
Se alguém tiver mais informações sobre este graf tão peculiar, por favor diga alguma coisa ou então contacte os senhores do Santo Sis, O São Mono ou a Santa Maria della Bófia!
quinta-feira, abril 15, 2004
Walkie-Talkie policial
Um destes dias passei por um senhor polícia que parecia estar a comunicar através de um rádio com os seus colegas (os termos colegas, parceiros ou camaradas têm óbvias conotações abichanadas, claro!).
Quando me aproximei, pude verificar que se tratava antes de um transístor e que o alegre agente da autoridade se encontrava a ouvir o belo do relato, não fosse o clubezito marcar um golo durante o horário de expediente.
Quando me aproximei, pude verificar que se tratava antes de um transístor e que o alegre agente da autoridade se encontrava a ouvir o belo do relato, não fosse o clubezito marcar um golo durante o horário de expediente.
Melhorar é preciso
Acho que nestes nossos tempos descrentes a popularidade da Bíblia dispararia de novo em flecha, se fosse feita uma pequena alteração ao texto original.
Todas as vezes em que no texto está escrita a palavra herético, por favor substituam-na, através de uma ligeira mudança, por uma palavra bem mais apelativa.
Sempre que aparecer herético, por favor ponham antes erótico. Com certeza vai melhorar as vendas do livro mais conhecido do mundo.
Todas as vezes em que no texto está escrita a palavra herético, por favor substituam-na, através de uma ligeira mudança, por uma palavra bem mais apelativa.
Sempre que aparecer herético, por favor ponham antes erótico. Com certeza vai melhorar as vendas do livro mais conhecido do mundo.
quarta-feira, abril 14, 2004
Dia negro
Hoje, com certeza, foi um dia negro para a comunidade dos miúdos que colam autocolantes pela cidade.
Um dos mais interessantes, centrais e concorridos sítios de colagem… Deus do céu (benzo-me neste momento)… foi todo limpo.
A verdade é que já não se conseguia ler o que dizia a placa de informação a sinalizar as ruínas do Carmo. Mas… meu Deus… não havia necessidade. E a cultura? Foi mandada para a rua?
E logo um dos meus spots preferidos!
Tantos e tantos bons taggers… diferentes da manada. A minha alma está ferida…
Enfim, se não tivesse fotografado tudo, tinha sido pior…
Um dos mais interessantes, centrais e concorridos sítios de colagem… Deus do céu (benzo-me neste momento)… foi todo limpo.
A verdade é que já não se conseguia ler o que dizia a placa de informação a sinalizar as ruínas do Carmo. Mas… meu Deus… não havia necessidade. E a cultura? Foi mandada para a rua?
E logo um dos meus spots preferidos!
Tantos e tantos bons taggers… diferentes da manada. A minha alma está ferida…
Enfim, se não tivesse fotografado tudo, tinha sido pior…
segunda-feira, abril 12, 2004
Ó Laurindinha
Há dois ou três anos, dois amigos meus estavam alegremente a tocar djambé e gaita de foles no carnaval de Torres Vedras. Cerca de 200 pessoas dançavam mascarados a toda a volta dos músicos. Tocavam músicas portuguesas antigas e chegou a vez de tocarem a “Laurindinha da Serra”. O refrão diz: -Oh Laurindinha, vem à janela. Mas o povo cantava em coro em tom de claque de futebol: -Oh Laurindinha vai pró car*lho!
Isto é obviamente uma das piores consequências do futebol. Na minha opinião, o fenómeno futebolístico é equivalente a um rapaz tatuado mais velho que quer sair com a sua filha e que diz que inscrever-se nos Alcoólicos Heroinómanos Anónimos foi a melhor coisa que fez, quando deixou de estudar na quarta classe. Eu sei que até parece um gajo porreiro, mas não tem nada de bom a trazer à nossa bendita comunidade.
Ui, tou tão conservador esta noite.
Isto é obviamente uma das piores consequências do futebol. Na minha opinião, o fenómeno futebolístico é equivalente a um rapaz tatuado mais velho que quer sair com a sua filha e que diz que inscrever-se nos Alcoólicos Heroinómanos Anónimos foi a melhor coisa que fez, quando deixou de estudar na quarta classe. Eu sei que até parece um gajo porreiro, mas não tem nada de bom a trazer à nossa bendita comunidade.
Ui, tou tão conservador esta noite.
Comunicado importante
Hoje mesmo o Sr. Durão veio a público afirmar que não existe nenhuma ligação entre a guerra no Iraque e o aumento do terrorismo no mundo.
Hoje mesmo, eu confirmei a minha teoria.
Hoje mesmo, venho por este meio afirmar que não existe nenhuma ligação entre o Sr. Durão e a realidade.
Hoje mesmo, eu confirmei a minha teoria.
Hoje mesmo, venho por este meio afirmar que não existe nenhuma ligação entre o Sr. Durão e a realidade.
sábado, abril 10, 2004
O meu condutor de autocarro é o Rasputin
Sou obrigado a defender a tese de que há na Rodoviária de Lisboa um senhor que a Hisória conhece por: Rasputin.
Rendi-me às evidências, o autocarro em que viajo todos os dias é conduzido por uma conhecida figura mundial...
As aparências iludem e por isso não podia referir este senhor sem mais nem menos, até ontem...
Assisti à prova definitiva de que eu precisava... para além das parecenças físicas serem impressionantes e conduzir como um verdadeiro maníaco que faz com que também o retrato psicológico esteja certo, algo faltava para eu ter a certeza absoluta...
Este caro senhor, para além de tudo isso... sabe falar russo...
Ontem assisti a uma conversa entre ele e um trabalhador russo no nosso país... Rasputin, farto de tentar comunicar com o emigrante em português em vão, finalmente expressou-se em russo com o moço...
Rasputin, ao contrário do que se diz por aí, está bem, está vivo... e trabalha na Rodoviária de Lisboa...
Rendi-me às evidências, o autocarro em que viajo todos os dias é conduzido por uma conhecida figura mundial...
As aparências iludem e por isso não podia referir este senhor sem mais nem menos, até ontem...
Assisti à prova definitiva de que eu precisava... para além das parecenças físicas serem impressionantes e conduzir como um verdadeiro maníaco que faz com que também o retrato psicológico esteja certo, algo faltava para eu ter a certeza absoluta...
Este caro senhor, para além de tudo isso... sabe falar russo...
Ontem assisti a uma conversa entre ele e um trabalhador russo no nosso país... Rasputin, farto de tentar comunicar com o emigrante em português em vão, finalmente expressou-se em russo com o moço...
Rasputin, ao contrário do que se diz por aí, está bem, está vivo... e trabalha na Rodoviária de Lisboa...
sexta-feira, abril 09, 2004
Tag com chá
Existe um tag muito curioso, que tem uma forma muito curiosa de se fazer distinguir de todos os outros.
Não poucas vezes me aproximei de um tag rectangular, feito em computador, muito simples. Tem a assinatura muito pixelizada do seu criador, pequenina a um cantinho. O engraçado é que a letras maiorzinhas pode ler-se: Obrigado pela atenção. É lindo, é como um chamariz que vive de si mesmo. Achei tão boa ideia, ele, o tag, agradecer a atenção dispensada pelo transeunte a si próprio.
As coisas diferentes neste campo são muito estimadas. E não assim tão intrincadas de conseguir como pode parecer.
Não poucas vezes me aproximei de um tag rectangular, feito em computador, muito simples. Tem a assinatura muito pixelizada do seu criador, pequenina a um cantinho. O engraçado é que a letras maiorzinhas pode ler-se: Obrigado pela atenção. É lindo, é como um chamariz que vive de si mesmo. Achei tão boa ideia, ele, o tag, agradecer a atenção dispensada pelo transeunte a si próprio.
As coisas diferentes neste campo são muito estimadas. E não assim tão intrincadas de conseguir como pode parecer.
A esperança
No lar da minha cidade os idosos tremeram quando souberam que o médico tinha dito a um dos idosos que, apesar da sua doença ser muito grave... a esperança é a última a morrer.
Quem não ficou muito aliviada foi a idosa mais velha, a Esperança.
Quem não ficou muito aliviada foi a idosa mais velha, a Esperança.
quarta-feira, abril 07, 2004
Manifestação pela despenalização
Tenho visto cartazes espalhados pelas ruas da cidade. São cartazes que apelam à participação numa manifestação pela despenalização do aborto.
O que achei engraçado é que o cartaz dizia a letras garrafais: CONCENTRAÇÃO DE MULHERES.
Não é por mal, mas isto soa a ladies night... será que esta organização pretende fazer a primeira manifestação com bebidas à borla para as mulheres, para atrair os homens, aumentando desta forma a participação na sua manifestação?
Será que as discotecas estão metidas na luta pela despenalização? Que valores defenderá o Lux, por exemplo, no que toca às touradas e coboiadas nas casas de banho do seu estabelecimento? E o Kremlin? Será que condena o uso de peles e drogas nas noites da sua disco?
O que achei engraçado é que o cartaz dizia a letras garrafais: CONCENTRAÇÃO DE MULHERES.
Não é por mal, mas isto soa a ladies night... será que esta organização pretende fazer a primeira manifestação com bebidas à borla para as mulheres, para atrair os homens, aumentando desta forma a participação na sua manifestação?
Será que as discotecas estão metidas na luta pela despenalização? Que valores defenderá o Lux, por exemplo, no que toca às touradas e coboiadas nas casas de banho do seu estabelecimento? E o Kremlin? Será que condena o uso de peles e drogas nas noites da sua disco?
Portas multifacetado
Eu defendo que o multifacetado Paulo Portas devia sem dúvida passar por uma sessão de biqueirada e afocinhamento no cimento bem duro.
Este careca esquisito, de nariz de proporções bíblicas passaria, portanto, de multi-facetado a multi-cacetado.
Este careca esquisito, de nariz de proporções bíblicas passaria, portanto, de multi-facetado a multi-cacetado.
segunda-feira, abril 05, 2004
Cena de casal
Hoje vi uma cena linda. Um casal encontrava-se a meio de uma linda linda cena conjugal.
Ele muito sério, verborrava-se em desculpas, e ela, muito tocada pelo pedido de desculpas, lacrimijava-se a cântaros... É bom ver uma reconciliação.
Estou só no gozo. Eu adoro estes dois termos. São muito catitas não são?
Ele muito sério, verborrava-se em desculpas, e ela, muito tocada pelo pedido de desculpas, lacrimijava-se a cântaros... É bom ver uma reconciliação.
Estou só no gozo. Eu adoro estes dois termos. São muito catitas não são?
Situação óbvia
Claro está que o Sr. Marques da Silva, era conhecido entre os amigos como O Marquês da Selva.
sábado, abril 03, 2004
Procuro homens altos com peito peludo
Do Brasil chegam-me notícias tristes.
Soube agora mesmo através do meu Sitemeter que alguém encontrou este meu humilde blog através de uma pesquisa no Google segundo a qual este rapaz brasileiro pretendia encontrar "homens altos com peito peludo".
Para mim é um pouco estranha esta demanda, mas gostos não se discutem.
Meu amigo, só lhe posso sugerir que passe na zona de Lisboa porque existe por aí um autêntico homem-macaco. Esse rapaz faz o Tony Ramos parecer um imberbe garoto da primária.
Sem exagero, esta figura é de tal maneira exagerada no que toca à pilosidade corporal, que precisa de fazer a barba todos os dias, até dois dedinhos dos olhos. Todo ele é composto por manchas de pêlo, que se misturam nas costas com o cabelo e no peito com a barba (feita quase até ao esterno).
Portanto, meu caro amante de pêlo denso e basto, sempre que for invadido pela sensação de que precisa de alguém mais peludo ainda, dirija-se a Lisboa e pergunte pelo Homem-Macaco, traga uma tesoura de tosquia industrial e por favor não deixe de consultar um psicólogo.
Soube agora mesmo através do meu Sitemeter que alguém encontrou este meu humilde blog através de uma pesquisa no Google segundo a qual este rapaz brasileiro pretendia encontrar "homens altos com peito peludo".
Para mim é um pouco estranha esta demanda, mas gostos não se discutem.
Meu amigo, só lhe posso sugerir que passe na zona de Lisboa porque existe por aí um autêntico homem-macaco. Esse rapaz faz o Tony Ramos parecer um imberbe garoto da primária.
Sem exagero, esta figura é de tal maneira exagerada no que toca à pilosidade corporal, que precisa de fazer a barba todos os dias, até dois dedinhos dos olhos. Todo ele é composto por manchas de pêlo, que se misturam nas costas com o cabelo e no peito com a barba (feita quase até ao esterno).
Portanto, meu caro amante de pêlo denso e basto, sempre que for invadido pela sensação de que precisa de alguém mais peludo ainda, dirija-se a Lisboa e pergunte pelo Homem-Macaco, traga uma tesoura de tosquia industrial e por favor não deixe de consultar um psicólogo.
Estamos Encerrados
Sempre que passo pela porta de um estabelecimento, roo-me de nervos. Isto porque, por vezes existem placas a dizer: Estamos Encerrados. E dá-me uma enorme vontade de subverter esta mensagem. Apetece cortar uma ou outra letrita e pôr os restaurantes e cafézitos todos a dizerem: ESTAMOS ***ERRADOS.
quinta-feira, abril 01, 2004
Arqueologia no São Jorge
Pelos lados da avenida da Liberdade, existe um cinema de seu nome São Jorge. Na entrada, em duas colunas estão colocados dois quadros de vidro. Que anunciam os horários de funcionamento do cinema.
Um destes dias passeava eu em frente ao cinema quando reparei que um dos quadros dos horários não tinha absolutamente nada. Nem horários, nem publicidade, nem vestígios cinéfilos. Nada. Mas absolutamente nada. O que se passava era que se podia ver o cimento da coluna, os ferros do cimento, uma ou outra pedrita e mesmo um ou outro tijolo de um remendo posterior às primeiras obras.
Um quadro envidraçado, que mostrava os alicerces do cinema, era lindo, tudo muito bem emoldurado. Fez lembrar os mostruários de vestígios romanos encontrados em Lisboa. Muito engraçado. Muito curioso.
Será que vale uma visita? A maioria das pessoas diria que não...
Um destes dias passeava eu em frente ao cinema quando reparei que um dos quadros dos horários não tinha absolutamente nada. Nem horários, nem publicidade, nem vestígios cinéfilos. Nada. Mas absolutamente nada. O que se passava era que se podia ver o cimento da coluna, os ferros do cimento, uma ou outra pedrita e mesmo um ou outro tijolo de um remendo posterior às primeiras obras.
Um quadro envidraçado, que mostrava os alicerces do cinema, era lindo, tudo muito bem emoldurado. Fez lembrar os mostruários de vestígios romanos encontrados em Lisboa. Muito engraçado. Muito curioso.
Será que vale uma visita? A maioria das pessoas diria que não...
Parque automóvel privado
Hoje vi um carro tão mal estacionado, mas tão mal estacionado no Largo do Rato, que tive ganas de lhe entortar os limpa-pára-brisas.
No entanto, li uma mensagem que alguém lhe tinha deixado no vidro da frente, num papel muito bem impresso. No papel podia-se ler a letras garrafais: NÃO ENCONTRA LUGAR PARA O CARRO? META-O NO CU!
Se mais pessoas procedessem assim, a nossa cidade seria um sítio melhor. Se cada pessoa que põe um defeito em alguma coisa, sugerisse também uma solução para esse problema... como neste caso, o mundo seria verdadeiramente um sítio delicioso.
No entanto, li uma mensagem que alguém lhe tinha deixado no vidro da frente, num papel muito bem impresso. No papel podia-se ler a letras garrafais: NÃO ENCONTRA LUGAR PARA O CARRO? META-O NO CU!
Se mais pessoas procedessem assim, a nossa cidade seria um sítio melhor. Se cada pessoa que põe um defeito em alguma coisa, sugerisse também uma solução para esse problema... como neste caso, o mundo seria verdadeiramente um sítio delicioso.
quarta-feira, março 31, 2004
Informação importantíssima
O Governo não avisa dos perigos para a saúde pública.
Qualquer pessoa que utilize regularmente os transportes públicos deve ser informada que cada pessoa produz e liberta por dia o equivalente ao conteúdo de duas garrafas de Coca-Cola, de gás. Mas que há excepções. O Governo devia avisar que a maioria dos grunhos que estão acima da média, só usam os transportes públicos, e produzem gás suficiente para encher cerca de duas garrafas de Coca-Cola, mas de litro e meio...
O caso pode ficar ainda pior, pois com o acumular de gás existe a possibilidade de uma concentração de tal modo acentuada, que se torne perigosa para os seres vivos que se encontrem por perto.
E assim se explica o facto de ser proibido fumar nos transportes públicos.
Qualquer pessoa que utilize regularmente os transportes públicos deve ser informada que cada pessoa produz e liberta por dia o equivalente ao conteúdo de duas garrafas de Coca-Cola, de gás. Mas que há excepções. O Governo devia avisar que a maioria dos grunhos que estão acima da média, só usam os transportes públicos, e produzem gás suficiente para encher cerca de duas garrafas de Coca-Cola, mas de litro e meio...
O caso pode ficar ainda pior, pois com o acumular de gás existe a possibilidade de uma concentração de tal modo acentuada, que se torne perigosa para os seres vivos que se encontrem por perto.
E assim se explica o facto de ser proibido fumar nos transportes públicos.
terça-feira, março 30, 2004
Etimologia da misericórdia
A palavra misericórdia é com toda a certeza proveniente do latim.
Levanta-se-me sempre uma questão quando penso na palavra misericórdia e na Santa Casa da Misericórdia. Será que a palavra misericórdia provém de miséria ou de mixórdia?
Eu sei que soa esquisito, mas é que sempre que passo no Largo da Misericórdia, sinto sempre que tudo tem um aspecto deplorável. Acho que fico com essa impressão sobretudo devido à inimaginável quantidade de pintura de pombo depositada às camadas durante longos anos.
Bem, ou isso ou o cheiro nauseante do McDonald’s que empesta sem misericórdia o ar do largo e das sete ruas em volta.
Levanta-se-me sempre uma questão quando penso na palavra misericórdia e na Santa Casa da Misericórdia. Será que a palavra misericórdia provém de miséria ou de mixórdia?
Eu sei que soa esquisito, mas é que sempre que passo no Largo da Misericórdia, sinto sempre que tudo tem um aspecto deplorável. Acho que fico com essa impressão sobretudo devido à inimaginável quantidade de pintura de pombo depositada às camadas durante longos anos.
Bem, ou isso ou o cheiro nauseante do McDonald’s que empesta sem misericórdia o ar do largo e das sete ruas em volta.
segunda-feira, março 29, 2004
Cálculo de probabilidades
Meu amigo, eu gostava de saber se estou em segurança a andar pelas ruas de Lisboa.
Por exemplo, quais são as probabilidades de andar 200 metros a pé sem ser bombardeado com tinta de pombo? E quais as probabilidades de ser atingido (quase mortalmente) por um balázio de gaivota, estes sim muito muito perigosos!?
Alguém já pensou que pior que o perigo vindo do céu é o perigo no chão, os presentes canídeos minam qualquer viela e ao mínimo deslize corremos o perigo de deslizar e perder o toque do requinte. Qualquer lindo fato perde o requinte com um simples toque de um destes mal embrulhados presentes. Entrar no emprego de fato novo e com merdum num sapato manda o estilo do Tony imediatamente pela janela.
Por exemplo, quais são as probabilidades de andar 200 metros a pé sem ser bombardeado com tinta de pombo? E quais as probabilidades de ser atingido (quase mortalmente) por um balázio de gaivota, estes sim muito muito perigosos!?
Alguém já pensou que pior que o perigo vindo do céu é o perigo no chão, os presentes canídeos minam qualquer viela e ao mínimo deslize corremos o perigo de deslizar e perder o toque do requinte. Qualquer lindo fato perde o requinte com um simples toque de um destes mal embrulhados presentes. Entrar no emprego de fato novo e com merdum num sapato manda o estilo do Tony imediatamente pela janela.
sábado, março 27, 2004
Imagens de Gays nos maços de Marlboro
Eu acho muito bem que se tente assustar os fumadores com as etiquetazinhas a dizer preto sobre branco que FUMAR MATA, especialmente porque realmente parece que as pessoas que fumam ficam muito surpreendidas quando adoecem...
– Xiii, quem diria... a vida é tão injusta, tão jovem e já com cancro... e ele que só fumava há vinte anos...
Epá toda a gente sabe que quem fuma fica amarelo e morre de cancro... Ainda bem que eles avisam os pobres inocentes fumadores... que realmente se calhar nem sabem mesmo que fumar mata…
Eu realmente acho isto um esforço muito bom... mas para acabar drasticamente com o número de fumadores, a única solução possível é definitivamente, em vez do retrógrado e contraproducente autocolante branco com letras a preto, eles deviam era pôr imagens de gays nos maços de cigarros. Quem era o macho que ia de manhãzinha ao café lá do bairro comprar o belo do pacote de cigarrinhos, com um granda machão de pilinha de fora e rabo rapadinho e chicote na mão?
A solução é simples, não se percebe porque é que o Governo ainda está a perder tempo...
– Xiii, quem diria... a vida é tão injusta, tão jovem e já com cancro... e ele que só fumava há vinte anos...
Epá toda a gente sabe que quem fuma fica amarelo e morre de cancro... Ainda bem que eles avisam os pobres inocentes fumadores... que realmente se calhar nem sabem mesmo que fumar mata…
Eu realmente acho isto um esforço muito bom... mas para acabar drasticamente com o número de fumadores, a única solução possível é definitivamente, em vez do retrógrado e contraproducente autocolante branco com letras a preto, eles deviam era pôr imagens de gays nos maços de cigarros. Quem era o macho que ia de manhãzinha ao café lá do bairro comprar o belo do pacote de cigarrinhos, com um granda machão de pilinha de fora e rabo rapadinho e chicote na mão?
A solução é simples, não se percebe porque é que o Governo ainda está a perder tempo...
sexta-feira, março 26, 2004
Ratos de brasão
Ao lado da Procuradoria-Geral da República existe um edifício vermelho muito pomposo. Tem dois brasões em azulejo muito senhoriais, todos lindos lindos.
O estranho é que por baixo da pintura de um dos brasões, ainda em azulejo, estão representados dois pequenos ratinhos, cada um a fugir para o seu lado.
Não sei se será costume isto acontecer, mas eu se fosse desta família nobre, não me ia sentir muito seguro da minha nobreza, com dois ratinhos no meu brasão.
Aliás, esta roedora situação dá uma ideia da nobreza e da realeza em Portugal neste momento. Se é que existe, nem os ratos dela vivem.
O estranho é que por baixo da pintura de um dos brasões, ainda em azulejo, estão representados dois pequenos ratinhos, cada um a fugir para o seu lado.
Não sei se será costume isto acontecer, mas eu se fosse desta família nobre, não me ia sentir muito seguro da minha nobreza, com dois ratinhos no meu brasão.
Aliás, esta roedora situação dá uma ideia da nobreza e da realeza em Portugal neste momento. Se é que existe, nem os ratos dela vivem.
Durão é uma boa pessonha
Na ombreira da porta do Supremo Tribunal Administrativo alguém escreveu uma mensagem com uma letra muito cordial e com ar de coisa séria.
Entrando no edifício, pode ler-se: Durão é uma boa pessoa.
Ora, isto é uma coisa séria de se dizer, parece sincera e até simpática.
Mas qualquer coisa me diz que assim não é. Tão cordial e lavadinha de asneiras está concebida a mensagem que nos leva a desconfiar. O que só torna a mensagem ainda mais interessante.
Talvez seja mesmo um graffiti de apoio. Mas mesmo que seja um fã de Durão e que o seu coração amoleça com Durão, e que pretenda amansar o nosso abananado rei dos peixes Durão, isto soa em toda e qualquer possibilidade de leitura como uma grande brincadeira cheia de ironia saudável, um humor com bom nível.
De outro modo já há muito que este pequeno graffiti teria sido lavado pelas funcionárias da limpeza do nosso Supremo Tribunal Administrativo, pois claro.
Entrando no edifício, pode ler-se: Durão é uma boa pessoa.
Ora, isto é uma coisa séria de se dizer, parece sincera e até simpática.
Mas qualquer coisa me diz que assim não é. Tão cordial e lavadinha de asneiras está concebida a mensagem que nos leva a desconfiar. O que só torna a mensagem ainda mais interessante.
Talvez seja mesmo um graffiti de apoio. Mas mesmo que seja um fã de Durão e que o seu coração amoleça com Durão, e que pretenda amansar o nosso abananado rei dos peixes Durão, isto soa em toda e qualquer possibilidade de leitura como uma grande brincadeira cheia de ironia saudável, um humor com bom nível.
De outro modo já há muito que este pequeno graffiti teria sido lavado pelas funcionárias da limpeza do nosso Supremo Tribunal Administrativo, pois claro.
quinta-feira, março 25, 2004
Fadista curioso
Tenho visto um senhor muito curioso. Um verdadeiro senhor do mundo. Universal mesmo.
Imaginem a situação. À hora de almoço, ao lado de um café seboso com cheiro a óleo de vinhaça, um senhor de meia-idade está sentado à porta de um prédio.
Com óculos, orelhas bem saídas da cabeça, cigarrinho sempre aceso e uma bela cerveja já começada.
Em tom de fadista, mas baixinho, este senhor canta com saudade o dia mundial que se esteja a viver nesse mesmo dia.
Quem o queira ouvir tem de passar bem pertinho, pois é bem discreta esta personagem. Está sempre bem arranjadinho e muito sorridente e alegre. Não tem de todo um ar pobre ou demente.
Mas o seu bom aspecto de pimpão divertido não só não o impede de cantar em público o dia mundial disto e daquilo como também dá um gostinho mais verdadeiro a este singular fadista alfacinha.
Imaginem a situação. À hora de almoço, ao lado de um café seboso com cheiro a óleo de vinhaça, um senhor de meia-idade está sentado à porta de um prédio.
Com óculos, orelhas bem saídas da cabeça, cigarrinho sempre aceso e uma bela cerveja já começada.
Em tom de fadista, mas baixinho, este senhor canta com saudade o dia mundial que se esteja a viver nesse mesmo dia.
Quem o queira ouvir tem de passar bem pertinho, pois é bem discreta esta personagem. Está sempre bem arranjadinho e muito sorridente e alegre. Não tem de todo um ar pobre ou demente.
Mas o seu bom aspecto de pimpão divertido não só não o impede de cantar em público o dia mundial disto e daquilo como também dá um gostinho mais verdadeiro a este singular fadista alfacinha.
quarta-feira, março 24, 2004
The Invisible Kid
Hoje reparei num rapaz a colar um tag amarelo nos Restauradores.
Todo gingão, armado em "very-nice" a colar um tag assim todo girinho com letras pretas como se fossem do logótipo de um filme. Cheguei-me perto e pude ler: The Invisible Kid.
Hmm… não sei se vou cometer uma inconfidência, mas ele não é assim muito invisível.
Ás vezes a publicidade é enganosa, mas isto é incrível. Aonde é que isto vai parar? Já contactei a Deco, eles disseram que ele vai mudar os tags. Parece que a partir de agora só vai assinar como: The almost Invisible Kid.
Não é tão giro, mas também é catita.
Todo gingão, armado em "very-nice" a colar um tag assim todo girinho com letras pretas como se fossem do logótipo de um filme. Cheguei-me perto e pude ler: The Invisible Kid.
Hmm… não sei se vou cometer uma inconfidência, mas ele não é assim muito invisível.
Ás vezes a publicidade é enganosa, mas isto é incrível. Aonde é que isto vai parar? Já contactei a Deco, eles disseram que ele vai mudar os tags. Parece que a partir de agora só vai assinar como: The almost Invisible Kid.
Não é tão giro, mas também é catita.
terça-feira, março 23, 2004
A grande bruxa
Vi hoje provavelmente o nome mais estranho que já li escrito numa parede lisboeta.
Por favor alguém me explique que eu sinceramente não percebo. Mas porque é que alguém há de querer ser conhecido na sua zona como: BRUXA DA TUSA.
É discutível se alguém tem o direito de escrever numa parede o seu nome ou outra coisa qualquer, mas, de certeza que não há discussão acerca deste assunto - toda a gente está de acordo sem dúvida que não é normal alguém achar uma boa ideia querer-se chamar Bruxa da Tusa,
O meu conselho para a Bruxa da Tusa é o seguinte: antes de assinar mais bancos de jardim pense primeiro, escute o que lhe diz o Senhor Bom Senso… e de preferência não assine mais esse seu nome estranho de proveniência duvidosa e de significado… intrigante.
Por favor alguém me explique que eu sinceramente não percebo. Mas porque é que alguém há de querer ser conhecido na sua zona como: BRUXA DA TUSA.
É discutível se alguém tem o direito de escrever numa parede o seu nome ou outra coisa qualquer, mas, de certeza que não há discussão acerca deste assunto - toda a gente está de acordo sem dúvida que não é normal alguém achar uma boa ideia querer-se chamar Bruxa da Tusa,
O meu conselho para a Bruxa da Tusa é o seguinte: antes de assinar mais bancos de jardim pense primeiro, escute o que lhe diz o Senhor Bom Senso… e de preferência não assine mais esse seu nome estranho de proveniência duvidosa e de significado… intrigante.
segunda-feira, março 22, 2004
Transformar pombos em perus
Nem sempre nos orgulhamos de escolhas que fizemos outrora. Pelo seguinte relato sinto remorso e arrependimento, pelo que peço desculpa a quem se possa ofender.
Ora nos idos de noventas, eu passava umas férias em regime de tortura desportiva do mais saudável possível. A caminho do almoço e de volta aos treinos praticava em conjunto com o resto da equipa o nojento desporto de transformar os pombos de Lisboa em perus do campo. Para praticar esta actividade extracurricular é preciso somente uma boa pontaria e um escarro valente. O primeiro desportista a conseguir que um pombo se pareça com um peru do campo é o vencedor.
A juventude é cheia destas pequenas coisas que não queremos que os nossos filhos saibam.
Ora nos idos de noventas, eu passava umas férias em regime de tortura desportiva do mais saudável possível. A caminho do almoço e de volta aos treinos praticava em conjunto com o resto da equipa o nojento desporto de transformar os pombos de Lisboa em perus do campo. Para praticar esta actividade extracurricular é preciso somente uma boa pontaria e um escarro valente. O primeiro desportista a conseguir que um pombo se pareça com um peru do campo é o vencedor.
A juventude é cheia destas pequenas coisas que não queremos que os nossos filhos saibam.
domingo, março 21, 2004
Ataque castiço
Eu acho que seria muito interessante para o nosso país que de vez em quando fossemos surpreendidos na hora de ponta da televisão por uma emissão pirata que atacasse de rompante as emissões de todos os canais.
Sugiro que uma vez por ano, em vez de termos os nossos lindos telejornais a aborrecerem de morte os espectadores, surja para júbilo das massas, um agradável vídeo-clip dos bonitos e simpáticos Ena Pá 2000 com a catita música Piça de Metal, na qual se podem ouvir as sábias palavras:- Tenho uma piça de metal, sei que não é nada mal!
Uma vez na vida seria agradável sentir a comunhão dos diferentes grupos etários, unidos a escutar uma tocante melodia que interrompia por momentos a sua aborrecida emissão habitual.
Este grupo terrorista, sem intenção de qualquer espécie, viria mostrar por exemplo ao Médio Oriente, que se podem exercer ataques terroristas simpáticos e castiços!
Sugiro que uma vez por ano, em vez de termos os nossos lindos telejornais a aborrecerem de morte os espectadores, surja para júbilo das massas, um agradável vídeo-clip dos bonitos e simpáticos Ena Pá 2000 com a catita música Piça de Metal, na qual se podem ouvir as sábias palavras:- Tenho uma piça de metal, sei que não é nada mal!
Uma vez na vida seria agradável sentir a comunhão dos diferentes grupos etários, unidos a escutar uma tocante melodia que interrompia por momentos a sua aborrecida emissão habitual.
Este grupo terrorista, sem intenção de qualquer espécie, viria mostrar por exemplo ao Médio Oriente, que se podem exercer ataques terroristas simpáticos e castiços!
sábado, março 20, 2004
Media Merdia
Parece-me a mim muito estranho como funciona a selecção de pessoas importantes para as revistas da alta sociedade.
Por exemplo, será que existe uma importância dada à inteligência, qualidades intelectuais, estudos ou coisa que o valha? Será pela medida da conta bancária? Será que pesam os cartões de crédito de cada um que se candidate a aparecer entrevistado numa dessas Caras ou coisa parecida?
Na minha opinião, eu acho que o constante destaque mediático dado a certas pessoas é um facto digno de um episódio dos ficheiros secretos. É totalmente misterioso e inexplicável.
O facto de por exemplo, a Senhora Lili Caneças surgir continuamente nos media, é como o cotão ao canto da sala. Não sabemos como, mas está sempre lá.
Por exemplo, será que existe uma importância dada à inteligência, qualidades intelectuais, estudos ou coisa que o valha? Será pela medida da conta bancária? Será que pesam os cartões de crédito de cada um que se candidate a aparecer entrevistado numa dessas Caras ou coisa parecida?
Na minha opinião, eu acho que o constante destaque mediático dado a certas pessoas é um facto digno de um episódio dos ficheiros secretos. É totalmente misterioso e inexplicável.
O facto de por exemplo, a Senhora Lili Caneças surgir continuamente nos media, é como o cotão ao canto da sala. Não sabemos como, mas está sempre lá.
quinta-feira, março 18, 2004
O amigo imaginário
Muito recentemente fiquei muito satisfeito por conhecer mais uma personagem bizarra das ruas de Lisboa - um senhor com cerca de 30 anos, fardado a rigor de “sem abrigo”, com aspecto muito sujo, cor de fuligem nas barbas, calças, face e boné.
Quando o vi, ele vinha pela rua muito divertido, a fingir que falava ao telemóvel, com a mão vazia ao pé da orelha como um verdadeiro gentleman bem integrado e “com abrigo” na sociedade. O detalhe desta situação que me divertiu verdadeiramente foi sem dúvida fora do comum - sempre que este senhor se cruzava com outra pessoa, desatava a gritar: Vai pró Kralh!
Supostamente estes berros seriam destinados ao intercomunicador telefónico imaginário e realmente assustavam os transeuntes que consigo se cruzavam.
Muito bem me soube levar também um grito bem alto em tom de ordem para ir para o tal sítio… muito agradável este divertido personagem, de longe bem mais divertido que os outros transeuntes que usam telemóveis. É tão fácil insultar toda a gente com um pretexto tão simples.
Mas enfim, nem toda a gente pode ver a vida com estes olhos tão diferentes.
Quando o vi, ele vinha pela rua muito divertido, a fingir que falava ao telemóvel, com a mão vazia ao pé da orelha como um verdadeiro gentleman bem integrado e “com abrigo” na sociedade. O detalhe desta situação que me divertiu verdadeiramente foi sem dúvida fora do comum - sempre que este senhor se cruzava com outra pessoa, desatava a gritar: Vai pró Kralh!
Supostamente estes berros seriam destinados ao intercomunicador telefónico imaginário e realmente assustavam os transeuntes que consigo se cruzavam.
Muito bem me soube levar também um grito bem alto em tom de ordem para ir para o tal sítio… muito agradável este divertido personagem, de longe bem mais divertido que os outros transeuntes que usam telemóveis. É tão fácil insultar toda a gente com um pretexto tão simples.
Mas enfim, nem toda a gente pode ver a vida com estes olhos tão diferentes.
Tag com acidente feliz
Alguns dos meus tags preferidos são os que sofrem acidentes e que por isso ficam alterados.
Um dos mais interessantes que já vi foi feito num corrimão de borracha de uma escada rolante. Como a tinta não adere facilmente àquele suporte de borracha e como as escadas não param por ninguém, a tinta da assinatura foi arrastada, deixando apenas as bordas do desenho que já tinham secado um nadinha e que tinham menos quantidade de tinta. Criou uma situação que nenhum tagger alguma vez se lembrou - retirar a tinta em excesso deixando ficar apenas os contornos.
Vale a pena ficar atento às escadas rolantes da estação da Baixa-Chiado que foi onde eu pude observar esta assinatura em azul escorrido.
Um dos mais interessantes que já vi foi feito num corrimão de borracha de uma escada rolante. Como a tinta não adere facilmente àquele suporte de borracha e como as escadas não param por ninguém, a tinta da assinatura foi arrastada, deixando apenas as bordas do desenho que já tinham secado um nadinha e que tinham menos quantidade de tinta. Criou uma situação que nenhum tagger alguma vez se lembrou - retirar a tinta em excesso deixando ficar apenas os contornos.
Vale a pena ficar atento às escadas rolantes da estação da Baixa-Chiado que foi onde eu pude observar esta assinatura em azul escorrido.
terça-feira, março 16, 2004
Resina escorrendo
Há alguns dias pude visitar uma exposição muito interessante.
Uma rapariga passou 3 meses a juntar 150 quilos de resina de pinheiro.
Isto já por si é uma coisa que não lembra a ninguém, mas enfim.
O que a moça fez foi aquecer a resina até derreter, depois vazou-a líquida para formas de pedra para criar paralelepípedos de resina.
A exposição consistia em observar as alterações da resina. Os vários blocos de resina eram pendurados por fios. Alguns pendiam, ficavam moles, pareciam querer pingar mas sem conseguir.
Era lindo. Fantástico. Que coisa maravilhosa. Uma óptima ideia, com uma distribuição no espaço muito bem pensada.
Os vários blocos estavam pendurados em várias alturas e o espectador podia-se relacionar com os objectos de várias perspectivas, mais acima, mais abaixo e ao nível dos olhos. Merece uma visita se ainda por lá estiver.
Transforma - de Hana Perinova. No espaço da Associação de Estudantes da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.
Uma rapariga passou 3 meses a juntar 150 quilos de resina de pinheiro.
Isto já por si é uma coisa que não lembra a ninguém, mas enfim.
O que a moça fez foi aquecer a resina até derreter, depois vazou-a líquida para formas de pedra para criar paralelepípedos de resina.
A exposição consistia em observar as alterações da resina. Os vários blocos de resina eram pendurados por fios. Alguns pendiam, ficavam moles, pareciam querer pingar mas sem conseguir.
Era lindo. Fantástico. Que coisa maravilhosa. Uma óptima ideia, com uma distribuição no espaço muito bem pensada.
Os vários blocos estavam pendurados em várias alturas e o espectador podia-se relacionar com os objectos de várias perspectivas, mais acima, mais abaixo e ao nível dos olhos. Merece uma visita se ainda por lá estiver.
Transforma - de Hana Perinova. No espaço da Associação de Estudantes da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.
segunda-feira, março 15, 2004
A Cara do Rocket
O tagger de autocolante “Rocket” deu a cara no seu novo autocolante.
Tem uma cara triste, inscrita num alvo como não podia deixar de ser.
Tá bonito, tá catita, tá diferente.
Faz lembrar uma foto de passe do rapaz. Ainda não percebi o que quer ele dizer com isto, mas pelo menos esforça-se por fazer alguma coisa original e alterar o estado e o aspecto das ruas da baixa lisboeta.
Força moço!
E não deixem por favor de reparar também nos seus novos rockets, mais aguçados com impressão melhorzinha e aspecto a mandar prós velhinhos Transformers.
Tem uma cara triste, inscrita num alvo como não podia deixar de ser.
Tá bonito, tá catita, tá diferente.
Faz lembrar uma foto de passe do rapaz. Ainda não percebi o que quer ele dizer com isto, mas pelo menos esforça-se por fazer alguma coisa original e alterar o estado e o aspecto das ruas da baixa lisboeta.
Força moço!
E não deixem por favor de reparar também nos seus novos rockets, mais aguçados com impressão melhorzinha e aspecto a mandar prós velhinhos Transformers.
A importância do clítoris
Na revista Visão de 11 de Março existe uma citação de tal ordem bárbara e despropositada que merece um comentário e uma eventual chapada com um cação.
Parece que um tal senhor de seu nome Miguel (o Rabo) Paiva, deputado pelo CDS/PP, disse isto: “ [A importância do clítoris] é algo subjectiva. Tem uma função essencial no prazer sexual mas, para além disso, a sua mutilação não afecta nenhuma função vital [nomeadamente] a função reprodutiva.”
Antes de mais eu sei que sendo um membro do CDS/PP as pessoas não esperam postas de pescada melhorezinhas, mas bolas, este gajo merece uma resposta.
Antes de mais, este Sr. Tola de Pilinha, não sabe que todos os anos morrem centenas de crianças submetidas a estas excisões brutais, devido a processos antigos de corte e costura sem condições nenhumas, com lâminas sujas e ferrugentas.
Antes de este abrunho poder dizer tal parvoeira, é preciso ter a noção de que o Homem tem o prazer como uma parte muito importante da sua existência.
Muito antes de este homo sapiens de cuecas apertadas poder dizer seja o que for, é preciso que se disponibilize para que um bruto do talho perto da sua casa, lhe corte a sangue frio a sua glande. Isso não tem mal nenhum visto que, à parte das dores insuportáveis no dia e nos dias a seguir ao corte, e de que todas a relações sexuais que tiver vão ser uma autêntica tortura, isso não lhe afecta nomeadamente a função reprodutiva.
Isto, claro está, muito antes de ele poder decidir pelo corte ou não da sua inútil glande. Antes claro de ele saber se vai sobreviver ou não, à infecção.
Este Sr. Miguel (o Rabo) Paiva devia estar calado.
Sr. Miguel (o Rabo) Paiva, o direito à escolha, o direito à vida e o direito ao prazer são aspectos fundamentais da vida humana. Por favor chegue o Rabo à recepção e tire a cabeça do seu ânus, respire ar fresco. Acho muito bem que defenda as coisas em que acredita, mas este pormenor do seu discurso é descabido, mal informado, despropositado e inumano.
Parece que um tal senhor de seu nome Miguel (o Rabo) Paiva, deputado pelo CDS/PP, disse isto: “ [A importância do clítoris] é algo subjectiva. Tem uma função essencial no prazer sexual mas, para além disso, a sua mutilação não afecta nenhuma função vital [nomeadamente] a função reprodutiva.”
Antes de mais eu sei que sendo um membro do CDS/PP as pessoas não esperam postas de pescada melhorezinhas, mas bolas, este gajo merece uma resposta.
Antes de mais, este Sr. Tola de Pilinha, não sabe que todos os anos morrem centenas de crianças submetidas a estas excisões brutais, devido a processos antigos de corte e costura sem condições nenhumas, com lâminas sujas e ferrugentas.
Antes de este abrunho poder dizer tal parvoeira, é preciso ter a noção de que o Homem tem o prazer como uma parte muito importante da sua existência.
Muito antes de este homo sapiens de cuecas apertadas poder dizer seja o que for, é preciso que se disponibilize para que um bruto do talho perto da sua casa, lhe corte a sangue frio a sua glande. Isso não tem mal nenhum visto que, à parte das dores insuportáveis no dia e nos dias a seguir ao corte, e de que todas a relações sexuais que tiver vão ser uma autêntica tortura, isso não lhe afecta nomeadamente a função reprodutiva.
Isto, claro está, muito antes de ele poder decidir pelo corte ou não da sua inútil glande. Antes claro de ele saber se vai sobreviver ou não, à infecção.
Este Sr. Miguel (o Rabo) Paiva devia estar calado.
Sr. Miguel (o Rabo) Paiva, o direito à escolha, o direito à vida e o direito ao prazer são aspectos fundamentais da vida humana. Por favor chegue o Rabo à recepção e tire a cabeça do seu ânus, respire ar fresco. Acho muito bem que defenda as coisas em que acredita, mas este pormenor do seu discurso é descabido, mal informado, despropositado e inumano.
sábado, março 13, 2004
O punk da crista
Certo dia num bonito concerto dos lindos Tara Perdida surgiu no meio da multidão uma personagem bem engraçada.
Bem no alto dos seus quinze aninhos erguia-se uma crista à boa moda punk, bem espetadinha e estaladiça como manda a regra.
No meio da saudável porrada e pancadaria, que não pode faltar num concerto que se preze, este rapazito conseguiu com a ajuda de um amigo saltar para cima da multidão e nela navegar por momentos. Tudo certo até ao momento em que este "crowd surfer" perdeu o equilíbrio e se puderam ver os seus pés a apontar para os céus, desaparecendo imediatamente a seguir no meio da animada rambóia ali instalada.
A aparição seguinte deste engraçado moço foi deveras interessante, pois a orgulhosa crista tradicional de punk estava agora mais ao estilo de um peru, em que a crista pende pastosamente para um dos lados da cabeça.
Tal foi o tombo, que o agressivo penteado não resistiu e cedeu à violenta pancada, sentida nas tábuas do chão até aonde eu me encontrava, alguns quinze ou vinte metros atrás!
Bem no alto dos seus quinze aninhos erguia-se uma crista à boa moda punk, bem espetadinha e estaladiça como manda a regra.
No meio da saudável porrada e pancadaria, que não pode faltar num concerto que se preze, este rapazito conseguiu com a ajuda de um amigo saltar para cima da multidão e nela navegar por momentos. Tudo certo até ao momento em que este "crowd surfer" perdeu o equilíbrio e se puderam ver os seus pés a apontar para os céus, desaparecendo imediatamente a seguir no meio da animada rambóia ali instalada.
A aparição seguinte deste engraçado moço foi deveras interessante, pois a orgulhosa crista tradicional de punk estava agora mais ao estilo de um peru, em que a crista pende pastosamente para um dos lados da cabeça.
Tal foi o tombo, que o agressivo penteado não resistiu e cedeu à violenta pancada, sentida nas tábuas do chão até aonde eu me encontrava, alguns quinze ou vinte metros atrás!
A senhora dos sacos-----2
Durante a noite, a senhora dispunha os sacos de plástico em círculo e sentava-se no meio. Criando a sensação de ilha numa aparente busca de intimidade. A privacidade possível para uma pessoa que viva desta forma.
Já outras vezes observei este comportamento em outras pessoas sem abrigo, esta criação de um espaço íntimo, que afasta as outras pessoas de si.
Nesta situação de privacidade esta senhora já de idade desaparecia por completo no meio da imensidão dos sacos. A senhora tinha uma corcunda e era perfeitamente imperceptível do exterior. Dava a sensação que se misturava, parecia ser mais um saco no meio dos outros.
Já outras vezes observei este comportamento em outras pessoas sem abrigo, esta criação de um espaço íntimo, que afasta as outras pessoas de si.
Nesta situação de privacidade esta senhora já de idade desaparecia por completo no meio da imensidão dos sacos. A senhora tinha uma corcunda e era perfeitamente imperceptível do exterior. Dava a sensação que se misturava, parecia ser mais um saco no meio dos outros.
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