segunda-feira, abril 10, 2006

Gramática dos transportes públicos

Estou bem fartinho que as pessoas falem comigo na segunda pessoa do plural.
-Falastes! – Dizem eles.
Ao que me apetece responder:
-Vós, senhor, também falastes, no entanto, excelência, deveis dirigir-vos à minha pessoa na segunda pessoa do singular, que eu vos concedo tal à-vontade.

Epá, sinceramente, vamos lá relembrar:

Eu falei
Tu falaste
Ele falou
Nós falámos
Vós falastes
Eles falaram

Não é difícil, é só ter atenção!

quinta-feira, abril 06, 2006

A minha roda dos alimentos

Na minha humilde opinião eu acho que a roda dos alimentos devia ser composta sobretudo por Futebolas, gomas com sabor a banana, ovos verdes, mousse de chocolate com chantilly e pastilhas Super Gorila.
Obviamente que as pizzas do Lidl e os eternos Chocapic não podem faltar, bem como a água suja do imperialismo Cocaquinha Frescola.
As crianças hoje em dia deviam aprender estas coisas. Uma boa alimentação é a base de uma boa barriga e um bom começo para, quem sabe, uma úlcera de estimação.

segunda-feira, abril 03, 2006

Teimosos os bimbos

Eu moro na capital mundial do rebaixamento do Bimbomóvel! Disso eu já sabia. Há por aqui mais Fiat Puntos com saias do que em qualquer filme de corridas de carros tuningados americanos.

O que gosto nisto da bimbalhada é poder encontrar, como eu encontrei, uma carrinha toda podre a quem alguém deu o carinhoso nome de Teimosa 3. Portanto, uma charronca velha a bater as botas não tarda, tem numa das portas, orgulhosamente colado, um autocolante a dizer Teimosa 3.

Isto é bonito. Isto é amor ao carro. Isto sim é bimbo à séria! Portugal espezinha com um salto alto dourado e com lantejoulas em jeito de tigresse qualquer campeão do kitch.
Mais um motivo de orgulho nacional.

sexta-feira, março 31, 2006

Yo penso positivo

Pelo Carnaval, pude assistir a uma cena digna de um feel good movie. Os envolvidos eram um miúdo atrevido e uma personagem de pensamento verdadeiramente positivo.

O miúdo, de cima de um muro, acertou com um ovo nessa personagem.
Com uma vivacidade e um sorriso digno de uma publicidade a detergente, o senhor respondeu alegremente ao rapazola:
- Boa pontaria jovem! Estás a provar que a tua mão direita não serve apenas para te masturbares a ti e aos outros.

Isto é que é receber com bom espírito o Carnaval. Ninguém leva a mal. Não há cá chatices, just good clean fun.

terça-feira, março 28, 2006

Sarrabulhada e molho de sangue

Vi no outro dia na Culturgest (sim porque eu sou um gajo todo a dar pró multicultural), uma peça de teatro que me surpreendeu bastante. A peça chamava-se Sarrabulho e é de um grupo da Santa Terrinha chamado Sucata Sisters.
O que me agradou imenso, para além dos bons textos, das interpretações muito gostosinhas e das posturas muito abertas dos actores, foi sem dúvida o uso de slides para ajudar a narrativa. As imagens dialogavam com os actores.
Foi um show de surpresas para os meus sentidos. Sinceramente muito bom. Saí de lá com coragem. Gosto disso.
Sucata Sisters - dez pontos, Sucata Sisters - ten points. Obrigado Helsínquia.

sábado, março 25, 2006

Sacos de fruta

As velhas portuguesas, utentes dos autocarros públicos, têm crenças muito estranhas. Seja qual for a religião da velha em causa, ela vai invariavelmente acreditar, por estranho que pareça, que todo e qualquer saco de plástico vai indubitavelmente ganhar uma coluna vertebral e resistir sem ajuda aos solavancos do transporte público.
Só essa convicção é que pode explicar que todas as velhas, quando se sentam, poisem os sacos no chão do autocarro e se espantem que os sacos de plástico fujam e espalhem por todo o autocarro os seus queridos vegetais, pacotes de medicamentos e afins.

quarta-feira, março 22, 2006

Quadrando nas Bermundas

Não é por mal mas eu preferia abater um cavalo ou esmagar um gatinho à paulada do que assistir a qualquer um dos sketches do programa Quadrado das Bermudas. É tão mau que faz com que todos, integralmente todos, os textos dos Morangos com Açúcar pareçam um dos cantos dos Lusíadas. É uma dor de alma.
Quando quiser curar uma dor de dentes, vejo um dos programas de uma ponta à outra e nem me lembro mais das dores.

Por favor, tragam de volta o 70x7 que sempre era mais animado e divertido do que esta bosta literário-teatral.

domingo, março 19, 2006

Velho motard

Muito recentemente, vi um velhote numa motorizada toda armada em convencida. Um velho radical, cheio de estilo. Tinha um capacete à la Hells Angels, com uma forma a lembrar os capacetes do exército alemão da Segunda Guerra. Um verdadeiro insurrecto! Com todas as possibilidades humorísticas que isso provoca por se tratar de um velhote.
O mais catita e funny funny é que a marca da mota deste Hells Angel fora de prazo era Charley Davidson.

Isto só em Portugal. Ah, grandas velhos que a gente cá tem. Vinha, com certeza, de arranjar confusão num lar de idosos rival, ou de uma concentração de velhos motards desconcentrados. A tomar speeds em vez dos medicamentos receitados, sempre contra a vontade da maioria.

Mostra o que vales velho. Vende os medicamentos e o Ford T e compra uma Charley!

quinta-feira, março 16, 2006

Bimbo my ride

O movimento Tunning tem por propósito tentar demonstrar ao mundo o quanto se é Bimbo. Quanto mais dinheiro se gastar para se alterar o carro para ficar mesmo à la Bimbo, mais as pessoas ficam a saber que o proprietário de tal feia viatura é de um enorme e gigante Bimbo.

Um verdadeiro Bimbo gosta de sentir o carro a roçar no chão. Faz faísca nas lombas, larga peças com qualquer pedrinha e até uma pipoca que se encontre na faixa de rodagem raspa a pintura do frontispício do automóvel e deixa um risco bem marcado.

O que sobretudo me surpreende no Tunning é que a pessoa pode até viver num barraco, debaixo da ponte ou num caixote do lixo da Câmara, no entanto, acha bem cantar aos quatro ventos que gastou estes e aqueles mil contos a pôr merdinha aqui, merdinha ali no raio do carro. Que, no final do dia, permanece na sua condição de viatura de deslocação e nada mais.

Um destes dias pude observar um autocolante num carro de um verdadeiro e absoluto Bimbo. Rezava o autocolante: Tunning não é crime.
E não pude deixar de exclamar: É verdade, Tunning não é crime, mas é Bimbo.

segunda-feira, março 13, 2006

Velhas de ténis

Uma coisa que me dá muito gozo é ver velhotas de ténis. Epá, é perfeito, parecem tão confortáveis. Devia ser uniforme obrigatório.

Ainda no outro dia vi uma de ténis e fato de treino, toda colorida. Lindo. Parecia tão confortável. Até parecia que podia ter estado na fila pró casting dos Morangos com Açúcar.

Acho que uma velhota com ténis ainda tem muito para andar. Não vai ter tantas queixas de dores. É como porem pilhas Duracell num coelho de brincar. Aquilo ainda está para durar.

sexta-feira, março 10, 2006

God save the Quim

Um dia destes pude ver com muito agrado, garanto, um autocolante muito muito nice.
O que é representado é uma imagem dos Sex Pistols, onde aparece a senhora rainha de Inglaterra, a qual tem os olhos tapados com uma faixa que diz: God save the Queen, e a boca tem uma faixa que diz: Sex Pistols.

No entanto, este novo catita autocolante tem, na tira dos olhos, os olhos do rapaz Cavaco Silva e a faixa da boca tem o belo, contagiante e engraçado sorriso do moço Presidente de Boliqueime.

Fica muito muito bom. É na minha opinião dos melhores exemplos de autocolantes.
A malta dos stickers tá-lhe a dar com força!

terça-feira, março 07, 2006

O que o meu povo gosta é do Roque ande Role!

E de escrever em inguelês e tal!
Na minha bela urbe, suburbana como tudo, existe desde há pouquinho tempo um graffitizinho muito doce. Uma coisa romântica com muita paixão e com uma tirada em inglês que fica sempre cool. Reza o dito escrevinhado a lata de spray: D ama K.
Até aqui tudo nice e mais uma vez cool. Mas por baixo o nosso Romeu de escrever por casa atira-se aos saltos para o mundo do inglês soletrando FOREFEVER em vez do esperado FOREVER. Apontou para o estilo mais do que para a gramática e saiu-lhe o graf pela coolatra. Há-de ficar, se Deus quiser, a mensagem: D ama K forefever.
Pobre paixão mal escrevida!

sábado, março 04, 2006

Muito boa noite, por obséquio e tudo o mais

A mim, na rua, perguntam-me muitas vezes indicações. Param e perguntam. E eu indico, quando sei.
O que eu acho curioso é que quanto mais tarde é mais simpáticas são as pessoas que pedem indicações. Isto porquê? Porque quanto mais tarde é menos pessoas há na rua a quem possam perguntar as ruas e as direcções ou a localização de multibancos e farmácias que pretendem.

Muito bom. Sentem que se se armarem em arrogantes podemos sempre dizer:
- Não digo e duvido que haja mais alguém a esta hora na rua a quem perguntar!

quarta-feira, março 01, 2006

Vanessa é com um Ç ou dois S?

Perto da minha casa surgiu recentemente uma garatuja grafitada que é das mais tristes que já vi. É incrivelmente infeliz por três motivos:

Primeiro, porque é o nome de uma rapariga que é piroso até dizer bolas que isto é mesmo horrível. Acho que diz Mónica Vanessa.
Segundo, porque o pobre coitado a meio do primeiro nome ficou sem tinta no spray e o resto do nome continua noutra cor.
E por fim, o melhor de tudo. O infeliz escriba teve de rasurar o segundo nome da moça. O que para uma surpresa romântica acaba por não ficar tão fofo como seria de esperar.

Podemos pensar pelo lado positivo: é bom os jovens darem-se à escrita; e é bom emendar os erros que cometemos.

Continua rapaz, o caminho para a literacia está aberto, é só permanecer concentrado. Concentrado é com um C ou dois S?

sábado, fevereiro 25, 2006

Projecto Pastilha

Há algum tempo atrás iniciei o Projecto Pastilha. Com o intuito de ir sabotando um ou outro graffiti mais feioso.
Acabei por resolver que sempre que passasse por determinado sítio, iria colar uma pastilha elástica na parede, em cima do graffiti ranhoso que lá estava.

Como esta parede está situada muito perto de escolas a moda pegou e agora não sou só eu a contribuir para esta intervenção no espaço. Agora, sempre que por lá passo, já existem novas adições a esta parede da vergonha.
O aspecto final acaba por ser muito colorido pois as pastilhas são de cores diferentes e dão à parede um aspecto muito pintalgado e quase festivo.

Contribua você também.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Reservado a Concelho

Na minha zona de residência há uma grande percentagem de autocarros que se destinam ao Reservado.
Será que o Reservado é perto daqui? Será que consta dos mapas? Será que o Professor José Hermano Saraiva já fez algum programa sobre a história e a cultura do Reservado?
Deve morar lá muita gente, porque por toda a cidade passam autocarros para o Reservado. Hei-de perguntar a um motorista para que lados fica o Reservado. Tenho de lá dar um saltinho. Deve ser um passeio interessante.

domingo, fevereiro 19, 2006

Sou um Trainspotter

Posso dizer que na minha adolescência fiquei com uma certa pancada por um ou outro filme. Um deles foi-me incrustado na mente pela interdição. Eu tinha lido sobre o filme Trainspotting e tinha achado interessante, no entanto os meus pais não quiseram ir ver o filme ao cinema. Mais tarde com um grupo de amigos foi-nos vedada a entrada no cinema por não termos idade suficiente.

Assim que pude comprei o filme em VHS e, quem diria, foi muito mais surpreendente do que eu estava à espera. Transmitia um feeling bem mais positivo do que aquele que imaginava.
Muito bom. Desde então já o voltei a ver umas poucas de vezes.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Aniversário do Avante marca necessidade de mudança

O jornal Avante tem uma tiragem muito piriri. Longe vão os tempos de tiragens de quinhentos mil exemplares de 1974.
Eu sugiro que para aumentar as vendas o Avante se passe a chamar: “O jornal oficial dos Morangos com Açúcar”. Isto assegurará um aumento de vendas e criará novos camaradas. No meio de entrevistas com os meninos dos Morangos estariam notícias do partido e textos sobre as acções do partido.
Com essas mudanças é fácil adivinhar que seria necessário parar de chamar camarada a toda a gente e passar a referir-se aos compinchas partidários de dread, sócio e man!
Até soa bem!

domingo, fevereiro 12, 2006

Não me meto em campanhas publicitárias

Irrita-me profundamente o que estão a fazer com os bons cartonistas que há por todo mundo. Não há direito. Bolas, tantos bons cartonistas que podiam ficar na história, logo hão-de ficar famosos uns dinamarqueses fraquinhos.
Desagrada-me tanto a publicidade que o mundo islâmico está a fazer a cartonistas de baixa qualidade da Dinamarca!

Se isto fosse um episódio do Scooby-Doo dava para adivinhar que o mundo islâmico tinha interesse económico na publicidade internacional dos famosos cartoons. Diria eu que quando a publicação dos beras cartoons dinamarqueses chegar a best seller o mundo islâmico fica com 80% dos lucros.

Toda a gente sabe que o melhor a fazer com uma coisa que nos irrita é não ligar. O que parece é que alguma coisa nos cartoons da Dinamarca tocou algum nervo mais sensível.
Mas qual será a percentagem de muçulmanos que pelo mundo fora têm por hábito ler jornais dinamarqueses locais e de petite tiragem? Tipo nenhuma. E, no entanto estes cartoons hão-de chegar ao e-bay por milhares e milhares.

Por favor se é preciso haver pancadaria no mundo que seja por cartoons de bons cartonistas, profissionais, de qualidade, como há por aí aos montes. Todos sabemos que o humor nórdico tirando os Abba, é uma bosta!
Tenho dito!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Vaidosos peidorrentos

Passo todos os dias por um estabelecimento que tem um letreiro que afirma: “Directamente do produtor para o consumidor”.
Até aqui, tudo bem, mas só que aquilo é uma casa de venda de gás! Eles são produtores de gás! São peidorrentos e orgulham-se disso.

“Produzimos o nosso punzinho, embalamos e entregamos directamente ao consumidor. Basta de soltar em vão a nossa bufa solitária num elevador apinhado para chamar a atenção. Qual quê! Vamos é abrir uma loja, que nós cá em casa somos profissionais a soltar gases”.

Fazem bom dinheiro com as suas emissões gasosas e acredito que vão abrir uma rede de lojas por todo o país!

domingo, fevereiro 05, 2006

Conversas alheias

Ontem, ouvi num autocarro um gajo a dizer para o outro:
- De hoje não passa, vai haver um homocídio lá em casa.
Ao que o amigo replicou:
- Não queres antes dizer: Homicídio?
- Eu quero mesmo dizer homocídio, porque eu vou matar aquele maricas.
Tristes conversas as que se ouvem no autocarro. Isto, quando não se apanham conversas das cólicas, diarreias incontroláveis e operações hospitalares, com pormenores gore, das velhas. Isso sim é forte para começar o dia.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Prazer dos 80s

Vi há muito pouco tempo o programa Prazer dos Diabos num dos canais da SIC. Um dos comentadores, o mais incisivo e mais interessante, ou seja o rapaz com pouco cabelo, dizia que a cena musical portuguesa era um copy-paste do estrangeiro e que era nos 80s que ela era catita.
Uma coisa que me pareceu foi que ele não conhece bandas portuguesas nenhumas para além das que passam na rádio, banda FM e que o seu apetite por novas incursões musicais terminou em 1982 ou coisa que o valha, porque foi lá puxar palmas aos GNR, de antes da revolução russa, e aos Heróis do Mar, da época em que ainda apareciam esses rapazes nas cartilhas chinesas da dinastia Chung(a).
Não que eu desgoste destas bandas, mas é chato o rapaz ter ficado mouco para a música lusa e bradar aos céus que ela morreu.

Calma Toni!

Comentava ele algumas bandas portuguesas que, segundo ele, se assemelham imenso a bandas estrangeiras e que por isso são redundantes.
Epá, a mim o que me parece redundante é o Prazer dos Diabos. Parece-me sempre que estou a ver um reciclado da Noite da Má Língua de má qualidade.
O Alvim anda em baixo e precisa sempre de um café. E dos outros todos nem digo nada.
A única coisa de que gosto nesta versão ramelosa da Noite da Má Língua é que não tem a Júlia Pinheiro aos gritos. Isso é um ponto a favor, sem dúvida.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Água quente e fria


Há uns anos atrás, no regresso de um dia muito longo de caminhada pela montanha, numa colónia de férias, eu estava absolutamente gelado. Quando fui tomar banho, assim que liguei a água, apercebi-me de repente que os meus pés sentiam que a água do banho estava a ferver. No entanto a minhas mãos sentiam que a água estava fria. Isto porque os meus pés estavam tão frios que sentiam a água fria como estando muito quente.
Estranho não é?

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Loja de animais

Fui há pouco tempo ao Loures Shopping e pude ver uma das maiores lojas de animais do mundo. Adorei. O que achei mais engraçado é que a loja é tão grande que dá a sensação que o desporto nacional são as corridas de cães.
Isso é que havia de ser bacano. Aposto que íamos competir com países com tradições lindas como o Butão ou o Bangladesh, onde uma bola de futebol custa uma ovelha e a virgindade da filha mais velha.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Avistamentos

Gosto de catalogar na minha cabeça os avistamentos que fiz de gente que me faz piscar uma luzinha na cabeça. Acho que é uma espécie de álbum de imagens pessoal e não fotográfico. Muito simples e baseado unicamente na minha ranhosa memória.

Por incrível que pareça, avistei, com os meus 13/14 aninhos, a modelo Claudia Schiffer e o seu marido Copperfield, em Paris mesmo à porta do Louvre. Foi estranhíssimo sentir a minha calma manhã alvoroçada com a pressão e a perseguição que vi o casal sofrer por parte de fãs, fotógrafos e seguranças, tudo à mistura.

Tadinhos, há um preço para a fama e passa pelo sossego. Pela calma e pela possibilidade de podermos olhar em volta numa multidão e saber que podemos continuar numa boa.
Bem, é isso que eu desejo a todos os que têm o que comer – sossego. Aos outros, claro, deseja-se sempre uma boa refeição.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Embaraçoso mas catita

Há pouco tempo pude ler uma pequena inscrição meio escondida feita a lápis numa parede. Dizia simplesmente, “Serafim Dardo” e por baixo em letras muito pequeninas lia-se “a doar esperma desde 1977”.
E eu fico a imaginar, como é que alguém dispõe de uma informação tão específica? Será que sabe de fonte segura que o menino Serafim doa o seu material genético para casas reais de toda a Europa, para as famílias mais abastadas e para os mais conceituados críticos e galeristas do mundo? Seria um currículo deveras impressionante.
Ora aí está uma notícia que não surge nos tablóides.

domingo, dezembro 11, 2005

Incongruências com Açúcar

Alguém me há-de explicar como é que na novela dos Morangos com Açúcar nenhum dos miúdos da escola acha os D’ZRT uma granda cagada! Se eu estudasse com um dos D’ZRT tinha a obrigação moral de lhe pregar um estaladão.
Mas nenhum rapazinho ou rapazinha acha aquilo tudo uma granda palhaçada? Os miúdos topam logo as coisas ranhosas desse género! A novela perde credibilidade. Pelo menos é o que eu espero.
Devo confessar que já tenho apanhado alguns episódios e dá-me sempre vontade de rir. A cada frase dos jovens actores o meu cérebro comenta: “Mas quem é que escreve estes textos? E será que o escritor dos textos acha que alguém fala assim?”
Eu acho que as novelas da TVI e os fenómenos musicais delas expelidos, no futuro hão-de ser lembrados nos livros de História de Portugal. Tal como a Peste Negra, o fascismo, a música Pimba e o vendido do Durão que há-de regressar a Portugal muito bem visto e aplaudido.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Coleccionismo trouvé

Hoje passei por uma senhora que varre o lixo na minha rua. Esta senhora é muito peculiar. Junta com muito cuidadinho objectos que com certeza acha especiais e/ou importantes e pendura-os na estrutura do seu carrinho de caixotes: chuchas, bonequinhos, porta-chaves. Acho esta atitude muito interessante e a cena prende-me sempre a atenção.
Hoje reparei que um dos objectos que tinha pendurado no seu carrinho era um tampão higiénico. É um objecto curioso. Sim, estava limpinho, ainda não parecia usado.
Não quero ser mauzinho, mas será que ela o estava a guardar para mais tarde?

quarta-feira, novembro 30, 2005

Siga as estrelas deste Natal

É impressão minha ou os D’ZRT transformaram-se na Leopoldina? Os rapazes talentosos da novela, que fazem de conta que são alguma coisa, aparecem por todo lado nas publicidades dos brinquedos das grandes superfícies.
Alguém nos ajude. Se não tomarmos cuidado os miúdos de hoje, quando tomarem conta do país, ainda hão-de trocar o hino nacional pelo “Para mim tanto me faz.”

terça-feira, novembro 22, 2005

Curioso

Hoje fui cortar o cabelo. Quando cheguei a casa, reparei que as árvores da minha rua tinham acabado de ser aparadas. Será que as árvores tomaram, como eu, coragem e foram ao baeta? Ou eu, tal como as plantas, fui aparado pelo jardineiro destacado pela junta de freguesia?

terça-feira, novembro 15, 2005

Quanto gosta você do seu emprego?

Numa das lojas de roupa da Baixa por onde costumo deambular pude observar um comportamento muito catita.
O tipo de loja a que me refiro é de roupa feminina e é obrigatório que a música nestes estabelecimentos seja tipo discoteca, repetitiva, para retardados musicais e que esteja tão alto quanto seja possível. O que normalmente é o volume de decibéis um nadinha abaixo de afugentar a clientela com problemas auditivos permanentes.
O que me agradou imenso foi ver o segurança que, como todos os outros, se deliciava a ver as rapariguinhas passar, como um homem das obras numa boite. Além disso, aparentemente, não se conseguia conter e dava mesmo uns passinhos de dança, satisfeito da vida.
A ver as babes passar, a dançar ao som da batida e a ser pago por isso. A vida é bela na cidade de Lisboa.

Eu adoro observar pessoas com comportamentos estranhos. Será que gostar de observar pessoas com comportamentos estranhos é estranho?

quinta-feira, novembro 10, 2005

H4N2? Água. H5N1? Em cheio!

Esta história da gripe das aves tem-me preocupado, como imagino que tenha dado que pensar a muita gente. No entanto, devo dizer que me incomoda, não só o facto de me relembrar que nenhum de nós é imune a doenças de animais que em cubos potenciam caldos, mas que para além disso têm um nome muito idiota.
H5N1, afundaste o meu contra-torpedeiro!
Acho que desde que o mundo conheceu a peste bubónica que não há uma doença que não tenha um nome a lembrar uma ala de uma refinaria. E enquanto os resíduos de lavagem da ala H5N1 são lançados para o oceano, os respectivos trabalhadores entretêm-se a ler as notícias que dão conta de mais um foco da doença dos Ministros das pastas de conteúdo duvidoso.
Cá se vai andando com a cabeça entre as pernas, o colete de salvação apertado e a máscara de gás posta. Tudo sempre na iminência de um ataque terrorista, arma biológica, lançamento discográfico estéril de uma grande editora ou entupimento de uma artéria importante na zona do coração.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Ideia da terceira e quarta classes

Quando era mais miúdo, mantive, durante uns tempos, não um diário mas um diário nocturno. Eu passo a explicar. Eu anotava os sonhos que tinha. E de que me lembrava claro está. Era o meu sonhário. Eram sempre coisas muito pirosas, embaraçosas ou perversas. Na altura bem complicado de gerir na minha cabeça. Mas sempre gostei do conceito.
Lembro-me de rabiscar o conceito geral dos sonhos durante a noite ou logo de manhãzinha, caso contrário esquecia-me passados 15 segundos. Dava mais trabalho que um diário normal mas é muito curioso de voltar a reler, no momento presente.

sábado, outubro 29, 2005

Sozinho na plateia a ouvir os Picos e a sorrir

Das últimas vezes que fui assistir a um concerto de música fui ver os Pixies. Foi uma situação bem diferente para a minha pessoa. Nunca tinha ido a um concerto sozinho. Foi meio estranho não poder partilhar com ninguém as coisas estranhas e engraçadas que se passavam no palco.
Gostei muito de ver o concerto da “torné”: “ai meu Deus precisamos de pagar a renda do próximo ano, vamos fazer uma “torne” mundial e vender a nossa alma ao diabo”.
Soube bem ver uma banda reunida, esperemos que pelas boas razões, e sobretudo que eles não se apressem a lançar um mau álbum, que levem o seu tempo e deixem as músicas novas ganharem gosto e amadurecerem. Quiçá, precisem de músicas com barriguinha e muitas velas no bolo, isso seria muito bom.
Lembro-me de reparar que a baixista parecia muito maternal. Isso não é a coisa mais normal numa banda de rock… acho eu. Mas foi muito giro.
No final pisguei-me antes de me poder sentir enjoado com o ranhoso do Lenny Kravitz. Eu até acho piada a uma ou duas das músicas dele mas acho que ia ficar com a boca amarga depois de um concerto tão docinho e gostoso como o dos Pixies.

terça-feira, outubro 25, 2005

Olho Morto

Um destes dias apercebi-me de onde me é familiar a cara do presidente Bush. Clicava pelos canais da TvCabo quando de repente apanhei a reposição da série do Mel Brooks da idade da pedra, Olho Vivo.
O agente 86 é a cara chapada e tem o mesmo nível intelectual do presidente Bush. É óbvio, é igual, é tão ou mais idiota que o presidente. E visto de outro ponto de vista também o quotidiano do presidente Bush dava com certeza uma boa sitcom. Cheia de idiotices, tonteiras descabidas e decisões que custam vidas.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Lista negra das senhoras da limpeza

Para o topo da lista negra das senhoras da limpeza de todo o país entrou a semana passada o jovem artista plástico Samuel Rama com um trabalho inteiramente feito de areia e água em jeito de castelo de areia paisagístico: Uma instalação presente na exposição 7 artistas ao 10º mês, patente na Fundação Calouste Gulbenkian.
O espaço atribuído a este jovem foi totalmente coberto com areia numa instalação que dá muito provavelmente dores de cabeça às senhoras da limpeza que de certeza acordam a meio da noite todas suadas a gritar: “Eu vou limpar esta porcaria toda e é já!”
Ponha-se a pau senhor Samuel, existe já uma data de senhoras munidas de vassouras e frascos de lixívia prontas para lhe limparem o sarampo. Eu cá passava a fazer vídeos ou alguma coisa limpinha e de fácil remoção.

terça-feira, outubro 18, 2005

50 cent é como uma stripper

O rapper 50 cent tem muito em comum com uma stripper. Por dois motivos principais: Primeiro, passa a vida em trajes menores. Sempre que convém aparece de tronco nu. Assim do nada. Realmente, o que o mundo precisa é de um rapper de tronco nu. Como que a dizer ao mundo, tenho um corpo lindo, certo?
Para além disso, ficou famoso porque levou uns tiros e sobreviveu. Ora isso é uma coisa que acontece, pronto, tal como uma stripper que nasceu com as maminhas grandes ou as mandou aumentar. O rapper tem aquela coisa de ter uma aura de façanhas. Leva 5 tiros sem bater a bota. Devia ser uma bela peça.
E, tal como uma stripper, é um vendido de merda.
Deus do céu, se uma cantora de hip hop do sexo feminino fizesse o mesmo, portanto, se no passado tivesse levado 5 tiros e, aparição pública sim, aparição pública não, aparecesse de tronco nu ficava muito mal vista. Mas enfim.
Para além de tudo isto, a música dele, na minha muito pessoal opinião, é uma pequena batelada de excremento seco.

quinta-feira, outubro 13, 2005

50 cent não é catita

A verdade sobre o rapper 50 cent é que ele só vem ou só veio a Portugal dar um concerto para ser votado nos mtv awards que se vão passar no nosso país. Estranhamente, este energúmeno tem um gigante acesso de sabedoria e toma conhecimento de que existe um sítio no mundo que se chama Pór tchu gál. E tem uma ânsia súbita de dar um concerto neste cu do mundo. Ele já tem tanto “guito” que realmente não tem qualquer necessidade de vir a este beco escuro da Europa para ganhar dinheiro.
Portanto, cada vez que os miúdos portugueses que gostam de hip hop e que vão ver o concerto do 50 cent lembrem-se que ele só nos bafeja com a sua adorável presença porque quer que a gente vote nele nos mtv europe music awards. Se ele realmente gostasse dos miúdos portugueses do hip hop então não cobrava uma batelada de “cheta” por um bilhete para o seu concerto.

domingo, outubro 09, 2005

Offsquê?

Para mim, um dos concertos que mais gozo me deram, em termos de eventos catitas e maluqueira pegada, foi o dos Offspring, da digressão do Ixnay On The Hombre, acho eu.
Para começar, vi uns miúdos muito jovens a fumarem um charuto. Uma rodinha de meninos muitos tiozinhos a fumarem um cubano. Coitados, muito enjoados, mas pronto estavam a ser cool… acharam eles.
A abertura das hostilidades foi dada pelos eternos e aparentemente únicos punks portugueses, os Tara Perdida. Que me deram um gozo do caraças, porque tocaram a grandiosa música “Batata Frita”. Uma jóia da música portuguesa.
Durante o concerto da banda do Smash, houve um jovenzinho que roubou um extintor e o despejou no meio da multidão. Por momentos, a banda olhou para uma enorme nuvem branca que surgiu no meio do pessoal.
Eu só conhecia a banda porque tinha uma cassetezinha gravada de um amigo e nunca tinha visto sequer uma foto do Dexter e restante manada.
A multidão foi muito cordial, tudo aos saltos e literalmente a dançar aos saltinhos de um lado para o outro sem que nenhum poço de biqueirada fosse criado. Muito boa onda. Foi um concerto espectacular, apesar de no meio da cowboiada alguém me ter apagado um cigarro numa mão.
O Coliseu esteve lindo nessa noite. Só me faltou mesmo foi a companhia certa.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Jacko

Acho que o único concerto a que me custa admitir que fui assistir foi o do Michael Jackson. Foi um nadinha totó. Não dá para dizer mais nada.

domingo, outubro 02, 2005

Not such a Green Day after all

O meu primeiro concerto era para ser um concerto dos Green Day da digressão do Dookie ou do Insonmaniac.
Esse concerto era eu para ter assistido com os meus pais. Paizinho e Mãezinha. Nada manda mais cenário do que levar os progenitores para a rambóia. Eu tinha um acordo com os meus pais, eu ia assistir a uma ópera com eles e em troca eles levavam-me ao concerto que havia no Coliseu. Infelizmente o concerto foi cancelado. E eu tive de ir na mesma ao raio da ópera.
Mas enfim, acabei por assistir aos Green Day, uns aninhos mais tarde, na digressão do Warning, que não foi nada mau. Mas já não fui com os meus progenitores. Fui com a minha cara-metade e o mano emigrado Didi.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Gabriel – o Primeiro Concerto

Acho que o primeiro concerto a que assisti foi no pavilhão Carlos Lopes. Um concerto do Gabriel o Pensador.
Fui com o meu pai. Sim, quem é cool vai para os concertos com os pais.
Lembro-me de estar muito nervoso, a multidão era um maralhal de aspecto estranho, bem diferente daquele com que eu estava acostumado a conviver no meu colégio de então. Lá dentro, o som era absolutamente horrível, quase não se distinguiam as músicas. Muito ruído, uma coisa pavorosa.
Curti à brava ver o Gabriel - o Pensador, coitado, de cadeira de rodas, em cima do palco, a dar uma de hip hop dos Hospitais.
Lembro-me perfeitamente de me ter cruzado com o Zé Pedro dos Xutos e Pontapés que levava duas cervejas e um graaande sorriso.
Mais tarde, vim a saber que o gajo das barbas em quem reparei, no meio do pessoal a tirar fotos, era o Cameraman Metálico. Que, por acaso, bem podia cortar a barba e mudar de nome.

sábado, setembro 24, 2005

Atento ao lixo

Uma coisa acontece sem que muita gente se aperceba, parece-me a mim. Em determinadas alturas do ano, os seres humanos, aqui no nosso país, têm a tendência para deitar ao lixo, o mesmo tipo de trastes, nas mesmas épocas do ano.
Isto é curioso. Deixámos muito recentemente a época do maple no lixo e estamos agora na dos colchões e respectivos estrados. Curioso não?
Uma outra situação típica que atravessamos, neste momento, é o aparecimento de muitos graffitis novos. Não tags, mas graffitis.

quarta-feira, setembro 21, 2005

domingo, setembro 18, 2005

E se um psicopata lhe oferecer flores?

Isso é Axe?
Talvez… pode ser do tipo de Axe Maniac, mas também pode ser do tipo Public Worker Maniac com a pancada de ser desagradável com toda a gente.

sábado, setembro 10, 2005

Um herói de cestinha na mão

Tive recentemente o privilégio de poder observar um maravilhoso vendedor ambulante numa praia do Alentejo: uma personagem bem porreira, de ar estrangeiro, meio aloirado e cheio de tatuagens. Eu apontava para ex-presidiário e ex-toxicodependente. Tudo certinho.
Todos os dias o homenzinho corria de cima a baixo a praia fluvial. Assim que terminava a ronda da praia todinha, pegava numa canoa e remava até ao outro lado do rio (que não era assim tão canininho) e recomeçava tudo de novo na praia do lado de lá.
Um verdadeiro feito heróico visto estar um calor de derreter maçanetas das portas.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Apanhados de surpresa, uma ova e das grandes

Hoje, uma ridícula notícia foi dada por todos os telejornais. Diziam os media que muitas pessoas que habitavam junto do Mississipi foram apanhados de surpresa pelo Katrina.
Ora bolas, ali, ninguém não sabia, poças! Até eu que moro aqui tão longe sabia e estava avisado! Não me surpreendi. Se morasse lá, menos surpreso ficava. Só um eremita e a sua árvore é que podem ter desconhecido a chegada da catástrofe.
Mas que raio de pessoal mais maluco.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Foleiro até dizer chega

No outro dia li um autocolante muito catita no vidro de trás de um carro todo artilhado, todo kitado, alterado até ao tutano. No autocolante podia ler-se: Tunning não é crime.
Muito facilmente se pode acrescentar a esta sábia frase qualquer coisa não menos sábia. A saber: Tunning não é crime, mas é bimbo.

domingo, agosto 21, 2005

Sede de protagonismo no Jay Leno

Alguém mais repara no baterista da banda do programa do Jay Leno? É a coisa mais parva que se possa imaginar. Sempre que o realizador põe no ar o guitarrista, que supostamente é o Robin deste Batman, vê-se perfeitamente o baterista a sair do seu caminho e a inclinar-se invariavelmente para a frente e para baixo de forma a aparecer na imagem. Irrita-me até dizer chega.
Alguém que lhe puxe as orelhas, se faz favor.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Procriar a um nível profissional

Será que a palavra procriar vem de PRO-criar, isto é, criação a um nível não amador? Os profissionais dessa área dirão:
-Não, isto não é a brincar, aqui não criamos a brincar, deixem-nos trabalhar. Sim, somos profissionais, sabemos o que estamos a fazer.